Portal da UFC - 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará - UFC Talks-55BET http://www.55betzone.com/ufctalks Wed, 04 Mar 2026 12:23:41 -0300 Joomla! - Open Source Content Management pt-br dpu@sti.55betzone.com (55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará) Portal da UFC - 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará - UFC Talks-55BET http://www.55betzone.com/noticias/noticias-de-2020/14663-ufc-talks-qual-o-papel-da-ciencia-em-um-mundo-pos-covid-19 http://www.55betzone.com/noticias/noticias-de-2020/14663-ufc-talks-qual-o-papel-da-ciencia-em-um-mundo-pos-covid-19 {http://www.youtube.com/watch?v=skIjgnaBiLM}

O desafio imposto pelo novo coronavírus colocou pesquisadores de várias áreas diferentes no centro do debate público. De repente, as mesmas sociedades que viram crescer movimentos como o antivacina passaram a acompanhar e a atentar para temas como protocolos de desenvolvimento e segurança de medicamentos, modelos preditivos na virologia e análises sobre a saúde mental. 

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No quinto episódio da série UFC Talks, o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online, Prof. Jorge Herbert Lira, analisa como os pesquisadores brasileiros vêm desempenhando seu papel diante dos desafios da pandemia e qual o espaço da ciência pós-COVID-19

ufc{talks}  –  Até a COVID-19, a sociedade assistia a um movimento muito forte anticiência. Muitas pessoas avaliam, agora, que a ciência deve retomar um lugar central na sociedade. O senhor concorda? Em caso positivo, como isso deve-se refletir?

Jorge Lira – De fato, essa suposta tendência anticientífica pode ser um reflexo de algo mais grave, a saber, a precariedade do letramento científico da sociedades, em todos os estratos econômicos e de escolaridade. Mesmo os que tivemos educação formal "completa" fomos apresentados, via de regra, a uma visão distorcida e empobrecida do fazer e pensar científicos. 

Quantos não se recordam da química escolar como horas a fio a memorizar a tabela periódica ou a recitar reações químicas como trechos de um texto em uma linguagem hermética? Que impressões a grande maioria das pessoas guarda da matemática, além da ideia de uma profusão de procedimentos e regras operacionais, memorizadas até o dia da próxima prova?

Portanto, a falta de cultura científica não nos permite avaliar corretamente o papel da ciência no desenvolvimento de um povo. Sabemos, vagamente, que existe ciência nos gadgets tecnológicos que usamos, nas redes sociais e serviços de streaming que aliviam estes dias de isolamento. Passamos a perceber, de forma crua e dramática, que a ciência é decisiva também no entendimento da COVID-19 e de sua propagação e enfrentamento, desde aspectos epidemiológicos ao desenvolvimento de fármacos, vacinas e equipamentos hospitalares. 

Perceberemos, na retomada, aprofundar-se o abismo entre o País e nações com sistema de educação científica melhor. Portanto, para usar um lugar comum, a crise traz oportunidade de mostrarmos à sociedade o ativo que a ciência representa, do ponto de vista de bem-estar social e econômico. Somos chamados a dar respostas rápidas para as urgências do momento e também a pensar as novas estruturas que devem emergir no mundo pós-pandemia.

 

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ufc{talks} – A ciência brasileira vem cumprindo seu papel nessa crise? E a UFC? Qual sua avaliação?

Jorge Lira – Os cientistas brasileiros, os nossos, da UFC, inclusive, estão entre os mais criativos do mundo, exatamente por não contarmos, até os dias de hoje, com uma política científica de Estado. Temos que manter e aprimorar nossas pesquisas na montanha-russa de investimentos em ciências, que, há cerca de 10 anos, estão em franco declínio. 

Crises financeiras como a que se desenha agora afetam o orçamento para C&T&I em todo o mundo, mesmo em nações desenvolvidas. No entanto, não solapam de todo as políticas de Estado para o setor. No Brasil, a despeito de muitos avanços e da intensa participação das universidades, institutos de pesquisa e sociedades científicas na construção de marcos legais, programas e projetos, ainda não podemos dizer que temos um plano nacional para ciência, tecnologia e inovação. 

Tampouco o setor privado ainda é aberto a "tomar" riscos, em geral, e, em particular, a apoiar projetos científicos ousados. De forma genérica, o apoio do setor empresarial à ciência é condicionado a resultados muito específicos ou mais imediatos. Além disso, ainda temos dificuldades de diálogo entre academia e empresas, desde processos de gestão de recursos a definição de resultados.

A UFC tem respondido muito bem a todo esse cenário desafiador, que já vem de antes da pandemia. Temos um crescendo de qualidade na produção científica, com maior expressão internacional, em um número maior de áreas de conhecimento. Contamos com uma grande diversidade em nossas pós-graduações e passamos, creio, por uma salutar renovação de nossos corpos docentes, que têm impulsionado a adequação da UFC a patamares internacionais de excelência.

Em especial, nossos pesquisadores, pós-graduandos e pós-doutorandos têm dado respostas muito rápidas e relevantes aos problemas de várias naturezas criados pela pandemia. Obviamente, [isso tem ocorrido não apenas] no aspecto das ciências médicas, em que registramos um grande número de projetos relativos ao estudo dos efeitos fisiológicos, clínicos ou epidemiológicos do vírus, mas também na interface com as engenharias, na recuperação e prototipagem de equipamentos, como ventiladores mecânicos, como o Elmo, utilizados no tratamento dos infectados em estado grave. Vemos esforços da física, computação e estatística em estudar os padrões e prospectos de disseminação da doença e, além disso, de estudar os cenários viáveis e seguros de retomada das atividades sociais e econômicas.

Temos registro de trabalhos notáveis na geografia e  ciências sociais sobre os impactos da COVID-19, especialmente no contexto de baixo IDH. Pesquisadores e alunos da Psicologia de Sobral têm provido programas de assistência psicológica, um enorme suporte neste momento. Há grupos de pesquisa elaborando e disponibilizando ferramentas de ensino domiciliar. 

Boa parte dessas ações e várias outras estão compiladas e publicizadas em plataforma nossa (http://bit.ly/3d2d1D2). Este é um quadro muito sintético e parcial do que temos feito como instituição. É importante dizer que, nesse esforço, se diluem as fronteiras aparentes entre ensino, pesquisa e extensão, entre graduação e pós-graduação, entre campi e entre departamentos. Principalmente, temos um trânsito mais intenso entre sociedade e 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online. Um modelo de integração que, esperamos, tenha vindo para ficar.

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ufc{talks}  – Falamos de uma possível revalorização da ciência. Mas, se ela não conseguir entregar a tempo uma vacina ou um medicamento para o novo coronavírus, é possível que isso se reverta?

Jorge Lira – Creio que não! Com os cenários piores se confirmando, podemos ter uma onda de posturas irracionais, mas isso nada mais é do que uma opinião ou mesmo um desejo. Penso que ficará ainda mais claro, embora de forma um tanto agressiva, repito, como a ciência será um agente decisivo entre o esgotamento da civilização e sua recuperação. 

ufc{talks}  – O filósofo Edgar Morin, em uma recente entrevista, chamou a atenção para o fato de que muitas pessoas viam a ciência como “um repertório de verdades irrefutáveis”. A crise do novo coronavírus mostrou que muitos pesquisadores têm ideias conflitantes e que muitas vezes deixa o cidadão comum em dúvida. Como fazer a população compreender que a ciência progride na controvérsia?

Jorge Lira – No outro extremo do que vínhamos falando, oposto a atitudes de anticiência ou ao completo iletramento científico, está o cientificismo, que é uma visão também deturpada do método científico. Entre um de seus aspectos, já apontados por pensadores, está a idealização do cientista "especialista" como um detentor de verdades inquestionáveis, uma espécie de oráculo dos novos tempos. 

Ora, Ciência se define por ser falsificável, por ser um conhecimento necessariamente sujeito a revisões. A "verdade" científica não surge de um processo linear, mas de um constante debate. Por vezes, o conhecimento é acumulado de modo progressivo; em outras, há rupturas conceituais e experimentais que reestruturam até os alicerces de uma área ou criam novas áreas. 

Um exemplo, novamente em circunstâncias extremas, é a progressão do entendimento sobre o coronavírus. Os cientistas estão no processo ativo de suas pesquisas, praticando o método científico por excelência. No entanto, pela publicidade do tema, o público passa a ver essa dinâmica de perto. Isso pode causar estranheza exatamente por estarmos tão impregnados seja de ignorância científica, seja, o que é ainda pior, de cientificismo.

ufc{talks}  – Há risco de a valorização da ciência se dar de forma seletiva? Por exemplo, a valorização das ciências médicas, mas não das ciências sociais aplicadas ou das humanidades? 

Jorge Lira – A crise afeta o ser humano e a civilização em todos os seus aspectos. Um claro exemplo de que o pensamento científico sobre essa situação e o que vem depois deve ser integrado: economia e sociologia serão tão vitais quanto a microbiologia e a farmacologia. 

No entanto, é preciso que essas especialidades passem a dialogar mais fortemente. É fundamental que as ciências sociais se apropriem de ferramentas quantitativas. É igualmente indispensável que as ciências médicas encontrem na filosofia subsídios para as pesadas questões éticas que vimos serem postas pelas "escolhas de Sofia”, feitas mundo afora.

ufc{talks}  – O senhor mesmo citou um dos grandes problemas da ciência, que é a questão do financiamento. Que mudanças são necessárias?

Jorge Lira – Estamos em meio a uma visão política demasiado utilitarista da ciência. Ignora-se, completamente, que um Thomas Edison precisou de um Faraday ou de Maxweel, que as gigantes farmacêuticas dependeram da química básica. 

Portanto, elegeu-se um conjunto de áreas tidas como prioritárias por serem, hoje, aquelas mais próximas da tecnologia dominante. Isso é, exatamente, inverter o fluxo. A ciência conduzirá a novas tecnologias, nem sempre de modo linear e imediato, mas certamente, revolucionário. 

Será preciso, realmente, repensarmos o modelo de financiamento. Tampouco, podemos ficar no formato, já superado, de uma ciência de torre de marfim. Um equilíbrio deve ser atingido. Senão, tombaremos miseravelmente na vala comum dos países dependentes. Teremos que esperar, servilmente, por produtos vindos da China, dos computadores aos respiradores.

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UFC Talks: Qual o papel da ciência em um mundo pós-COVID-19? Mon, 01 Jun 2020 21:21:01 -0300
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A política de quarentena causada pela COVID-19 tem provocado impactos positivos no meio ambiente: redução na poluição atmosférica das grandes cidades e de rios e mares, na caça e pesca predatória, na poluição sonora. Na quarta entrevista da série UFC Talks, que aborda os desdobramentos da COVID-19, a conversa é com o professor Marcelo Soares, doutor em Geociências, pesquisador do Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) e cientista-chefe do Meio Ambiente do Estado do Ceará (FUNCAP).

O pesquisador diz que ainda não é possível dimensionar o impacto global desse fenômeno, defende que economia e meio ambiente estão interligados e faz um alerta sobre os cenários possíveis pós-pandemia. Em um deles, destaca, é possível que a urgência de retomada econômica sirva como argumento para a exploração econômica predatória dos recursos naturais. Acompanhe a conversa:

ufc{talks}  – Com a política de isolamento social, há vários relatos de redução da poluição, seja no ar, seja nos oceanos. Já é possível dimensionar isso?

Marcelo Soares – Ainda não é possível dimensionar em uma escala global. Mas é lógico que a paralisação econômica tem reduzido desde a poluição sonora, passando pela emissão de resíduos de origem industrial, até a poluição atmosférica nas grandes cidades, devido à restrição do transporte público e de atividades econômicas. Nos oceanos, por exemplo, tem havido uma redução da navegação tanto de barcos de transporte quanto de cruzeiros, o que diminui os impactos da poluição marinha. É possível que venha a ser dimensionado em escala adequada, porque muitos pesquisadores continuam coletando dados. Agora, com certeza, tem acontecido uma redução da poluição neste período devido à paralisação dessas atividades.

Imagens de satélite monstram a redução de gases na Itália entre 11 de janeiro e 20 de março

ufc{talks}  – Quais os efeitos dessa redução para o ser humano e para o meio ambiente?

Marcelo Soares – Os efeitos são variados. Há uma redução da poluição atmosférica nas grandes cidades, o que é favorável ao ser humano porque a poluição atmosférica é uma das principais razões de doenças respiratórias, câncer e vários outros tipos de enfermidades. Pesquisas em Fortaleza mostraram alto risco de exposição a contaminantes que causam câncer devido a caminhadas nas avenidas nos horários de pico dos engarrafamentos. A melhoria da qualidade da água em alguns locais é outro ponto importante, porque água poluída é vetor de inúmeras doenças e perda de áreas de recreação. Essa redução da poluição atmosférica e aquática, aliás, é favorável à saúde do ser humano e à de diversas outras espécies. A paralisia das atividades de caça e pesca, por exemplo, permite aos animais reproduzirem naturalmente dentro de seus ciclos. Dependendo do tempo em que essas atividades fiquem paralisadas, é possível que a gente observe o aumento da quantidade de animais, que tinha caído devido à forte pressão econômica, insustentável, que estava sendo feita. Além disso, neste ano, provavelmente veremos uma redução da emissão dos gases de efeito estufa no Planeta.

ufc{talks}  – O senhor aponta uma retomada ambiental, mas que se dá ao custo da atividade econômica. É possível uma compatibilização?

Marcelo Soares – Temos visto muita polarização entre a economia e a saúde, um argumento sem sentido de que fazer ações de saúde é acabar com a economia, ou o contrário. Pode-se perfeitamente ter a manutenção da saúde e de ganhos financeiros para as pessoas, o que alguns governos têm tentado fazer ao redor do mundo neste período crítico. Esse mesmo raciocínio temos de aplicar para a área ambiental: é possível, sim, manter as atividades econômicas e a qualidade ambiental, as espécies, sua sustentabilidade. Até porque uma depende da outra.

A gente pensa que a degradação ambiental não afeta as atividades econômicas, mas isso não é verdade. Vou dar dois exemplos bem simples: o primeiro é que o impacto econômico das mudanças climáticas, que é proveniente da degradação ambiental, será muito maior do que o do coronavírus. Nada menos que 50% das praias do mundo devem acabar até 2100. Imagine o impacto econômico, de lazer, turístico e social de perder metade das praias. Uma pessoa que nasça agora em 2020, quando tiver 80 anos, não terá 50% das praias do mundo para conhecer. Atividades turísticas, comércio, pesca, estradas, serviços e o patrimônio imobiliário terão perdas bilionárias devido às mudanças ambientais e climáticas.

Essa pandemia da Covid-19 esrá relacionada também a uma crise ambiental

No Ceará, temos, além das mudanças climáticas, a ocupação de dunas, construções irregulares e o barramento de rios, que aceleram este processo. 40% das praias do Ceará já se encontram em erosão. Outra questão: as mudanças climáticas e o aquecimento global estão aumentando a temperatura em muitas regiões do Planeta. Isso está levando ao aumento de doenças. Por exemplo, uma crise que a Europa pode ter nos próximos anos é com as doenças tropicais negligenciadas (como dengue, chikungunya e doença de Chagas), atualmente mais restrita aos países de clima quente.

Porém, com o aumento da temperatura do Planeta, várias dessas doenças tropicais começaram a aparecer na Europa. E o sistema de saúde europeu não está preparado. A mesma situação pode acontecer com várias doenças aqui no Brasil. Tudo isso devido, em parte, às mudanças climáticas. Veja que a degradação ambiental prejudica muito a saúde pública e a economia. Está tudo interligado. 

ufc{talks}  – Quando o pico do novo coronavírus passar, quais os desafios de longo prazo? O que é possível esperar?

Marcelo Soares – Teremos dois cenários possíveis: a COVID, como pandemia, pode levar a um processo de depressão econômica em muitos países, o que vai causar desemprego e problemas fiscais. Então, é possível que, após a COVID, muitos líderes econômicos e políticos tentem usar isso como argumento para acelerar a degradação do meio ambiente, numa exploração econômica de curto prazo para aumentar rapidamente o estoque de empregos e a arrecadação de impostos em detrimento da qualidade ambiental. Esse é um cenário muito ruim.

Outra possibilidade é que, após a COVID, possamos acelerar a transformação como sociedade, compatibilizando as atividades econômicas, numa economia de baixo carbono para que impeçamos essa caminhada das mudanças climáticas e da emergência das doenças. A gente está vendo que essa pandemia da COVID está relacionada também a uma crise ambiental, ao uso de animais selvagens.

Isso vai acontecer cada vez mais e as crises serão mais comuns. Especialistas em doenças infecciosas emergentes vêm alertando há décadas que a fragmentação e degradação do habitat e os mercados de animais vivos aumentam o risco de doenças que se espalham da vida selvagem para as populações humanas.

O surgimento de muitas das enfermidades do nosso tempo, HIV, Ebola, Nipah, SARS, H5N1 e outras, pode ser atribuído, pelo menos em parte, ao aumento do impacto humano sobre os sistemas naturais. Cada vez que a gente degrada mais as florestas e os oceanos, cada vez que se usam mais os recursos naturais, novas doenças aparecem. Talvez, após a crise, possamos ter um novo cenário, um novo mundo, em que se consiga um novo modelo econômico compatível com a conservação ambiental.

Quer saber mais sobre o assunto? Acesse bit.ly/3fpwFLo

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UFC Talks: Quais os impactos da COVID-19 para o meio ambiente? Mon, 25 May 2020 19:52:11 -0300
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Na terceira entrevista da série UFC Talks, o professor Érico Veras Marques, da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC), fala sobre uma situação muito comum: as pessoas que tiveram o orçamento familiar impactado pela pandemia.

O momento, diz, é único e é preciso manter a serenidade acima de tudo. “O foco é a sobrevivência [das famílias]. O problema, em maior ou menor escala, está afetando a todos”. Para ele, a hora é a de rever os hábitos de consumo, em comum acordo com toda a família, e negociar dívidas e contratos.

ufc{talks} – A pandemia da COVID-19 impactou o orçamento familiar de milhões de pessoas. Quais as principais recomendações para elas?
Érico Veras Marques – Este é um momento ímpar na vida das famílias brasileiras. Ninguém deve se sentir menor ou envergonhado em virtude da situação financeira por que está passando ou possa vir a passar. O maior objetivo neste momento é que a família consiga chegar ao outro lado física e mentalmente saudável. O foco é a sobrevivência. Tenha, então, tranquilidade e serenidade, pois o problema, em maior ou menor escala, está afetando a todos.
Tratando especificamente do aspecto financeiro, temos uma situação na qual a origem do problema é a redução da renda ou, em alguns casos específicos, a falta dela. Nesse contexto, até que você possa voltar a realizar suas atividades, a ordem é reduzir todos os gastos possíveis e evitar toda despesa nova.
Reveja totalmente seus hábitos de consumo. Refaça o seu orçamento, sendo o mais rigoroso possível, em acordo com toda a família, pois todos estão no mesmo barco e são responsáveis. A transparência será fundamental.
Caso você tenha alguma reserva, faça uso dela de forma ordenada. Se com tudo isso, ficarem contas em aberto, a prioridade é pagar as contas de sobrevivência: água, luz, telefone, plano de saúde e o mínimo do cartão de crédito para manter o crédito aberto.

02 Noticia portal ufctalks financasufc{talks} – Qual a importância de renegociar contratos?
Érico Veras Marques – Primeiro, entenda que você não é o único nessa situação. Se você sempre foi um bom pagador, você continua sendo um bom pagador. O que houve foi um “cisne negro na sua vida”. Então, a frase de ordem é negociar e negociar.
Tente mudar o perfil da dívida. Troque dívidas caras e de curto prazo (cartão de crédito e cheque especial) por dívidas mais longas e baratas, como, por exemplo, um empréstimo.
No momento da negociação, lembre que não sabemos quando tudo voltará ao normal. Faça uma negociação viável de ser executada, pois pior do que negociar é ter de renegociar.
Não esqueça que dentro do planejamento da negociação está a revisão do seu orçamento. Se for viável, negocie uma carência (prazo) para começar a pagar a dívida, afinal de contas a sua renda não deverá voltar ao normal imediatamente.
Caso uma negociação amigável não seja viável, procure os órgãos de defesa do consumidor e veja o que pode ser feito. Se for algo muito complexo e de grande valor, procure a ajuda de um profissional qualificado.

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ufc{talks} – Como deve agir quem já tem dívida no atual momento?
Érico Veras Marques – Para quem já tem dívidas, este será um bom momento para negociar e rever a vida. Pois muita gente estará com os mesmos problemas e as instituições obrigatoriamente terão que encontrar alternativas.

Aproveite a oportunidade para organizar a sua vida. Você ganhou uma oportunidade, aproveite e aprenda. Veja quais foram as fontes da sua dívida e não repita o erro. Nesta crise, todos estamos revendo os nossos valores e o que é importante para nossa vida.

ufc{talks} – Aquelas pessoas que possuem alguma reserva financeira devem fazer o quê?
Érico Veras Marques – Gostaria primeiramente de parabenizá-las. A reserva dará condições de enfrentar o problema com um pouco mais de tranquilidade e serenidade. Isto não quer dizer que essa pessoa não precise rever o seu orçamento, pois não se sabe por quanto tempo será necessário usar essa reserva.
Se ela for robusta, aproveite a oportunidade para negociar descontos, pois todos estarão interessado em receber de forma antecipada. Neste momento de taxa de juros baixas, mercado de ações em crise, rendimentos baixos e até mesmo negativos, um desconto pode ser visto com um bom rendimento de aplicação.

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Novo coronavírus: o que fazer se o orçamento familiar ficar comprometido Tue, 19 May 2020 01:26:36 -0300
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A batalha contra o novo coronavírus é também uma guerra contra a desinformação ou contra a informação distorcida. Nesta segunda entrevista da série UFC Talks,  sobre os efeitos da pandemia da COVID-19, o Prof. Ricardo Jorge Lucas, do Curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará, fala da importância de checar a procedência da informação e dá dicas de checagem para o cidadão comum. “Na ideia atual de que tudo tem de ser rápido, parar para pensar se vale a pena repassar uma informação falsa ou distorcida é algo bastante sensato”. 

O professor defende que é preciso definir uma rotina na leitura de notícias como forma de garantir o equilíbrio entre o consumo de informação e o bem-estar mental. “Se possível, por exemplo, definir em quais horários do dia podemos ter acesso às notícias. O mundo não se tornará diferente, melhor ou pior se você diminuir o consumo de informações”. A seguir, confira a conversa.

Frase do professor Ricardo Jorge

ufc{talks}  – Temos acompanhado uma quantidade muito grande de notícias falsas ou distorcidas circulando sobre a questão do novo coronavírus, notícias que muitas vezes podem ser perigosas para a saúde pública inclusive. Que tipo de cuidados se deve ter na hora de compartilhar ou repassar informações assim?

Ricardo Jorge – Um cuidado óbvio seria checar se aquela informação é verdadeira. Qual a procedência dela: é um veículo de comunicação conhecido, que tem responsabilidade pública com aquilo que divulga ou a sua procedência é desconhecida? O fato de você receber algo de um grupo social não diz nada sobre a origem dela; apenas que você recebeu a informação de alguém que, provavelmente, não a produziu, não a checou, não a verificou. Outro cuidado: a informação que pretendo compartilhar ou repassar é, de fato, útil? Na ideia atual de que tudo tem de ser rápido, parar para pensar se vale a pena repassar uma informação falsa ou distorcida é algo bastante sensato – até porque, se a informação for verdadeira e relevante, ela tenderá a chegar aos veículos de comunicação, mais cedo ou mais tarde, e chegará também ao seu círculo de amizades.

ufc{talks}  – Como o cidadão comum pode verificar se aquela informação é confiável? Quais as principais orientações para realizar uma checagem básica?

Ricardo Jorge – Verifique quem são os personagens da informação. Cientistas, institutos de pesquisa? Caso você tenha dúvida sobre eles, pesquise: há vários bancos de dados com informações sobre pesquisadores no Brasil, como o Curriculum Lattes, assim como há também os sites das instituições de pesquisa e universidades. Desconfie de informações incompletas, do tipo “um pesquisador teria dito...” ou “alguém me disse...”: jornalistas sérios não procedem assim; em geral, eles precisam dar a voz a alguém. Do mesmo modo, é útil desconfiar de textos que tenham caráter muito opinativo, com bravatas e coisas do gênero, e que soem bastante genéricos.

Conheça organizações que trabalham com checagem e verificação

ufc{talks}  – Com a adoção da política de isolamento, temos visto um crescimento muito grande no consumo da informação. Mas para algumas pessoas, dependendo do tempo despendido, isso pode gerar sinais de ansiedade. Existe um ponto ótimo entre se manter informado e não gerar uma sobrecarga informativa?

Ricardo Jorge – É muito recente, na história da humanidade, que tenhamos notícias circulando entre nós 24 horas por dia, como se elas fossem um vírus (o que não deixa de ser irônico). Antigamente, havia um horário para consumir notícias: lendo o jornal impresso de manhã cedo, assistindo à TV em casa ao chegar do trabalho, ouvindo o rádio antes de dormir. Hoje, temos acesso a elas quando queremos e quando não queremos. E informar-se “cansa”, já dizia o jornalista galego Ignácio Ramonet. O que podemos fazer nos dias de hoje? Tentar estabelecer uma rotina: se possível, por exemplo, definir em quais horários do dia podemos ter acesso às notícias. O mundo não se tornará diferente, melhor ou pior se você diminuir o consumo de informações. E acreditem: se ocorrer algo bastante sério, tanto os meios em geral quanto seus familiares e amigos darão notícias a respeito no menor tempo possível.

ufc{talks}  – Ao mesmo tempo, recente pesquisa do Datafolha revelou que a crise do coronavírus tem apontado uma retomada da credibilidade da mídia tradicional. O que isso nos diz?

Ricardo Jorge – Por mais que blogueiros e influenciadores digitais tenham ganho espaço no mundo digital, o jornalismo continua sendo um trabalho coletivo. E é justamente o trabalho dessa coletividade que permite um maior alcance do trabalho jornalístico (acesso a fontes próximas e distantes, entrevistas vindas de diferentes lugares), cobrindo o maior espaço possível. Não se faz jornalismo diariamente sozinho.

Quer saber mais sobre o assunto?

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COVID-19: como saber se uma informação é confiável? Mon, 11 May 2020 12:35:58 -0300
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Em tempos de quarentena e isolamento social, a Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional (CCSMI) lança o UFC Talks, série de entrevistas com professores e pesquisadores de diferentes áreas para nos ajudar a refletir sobre assuntos específicos inseridos em grandes temáticas. As entrevistas estão disponíveis no portal 55betzone.com com divulgação em todas as redes sociais da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará.

Para começar, na temporada de estreia vamos conversar sobre os desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus. A primeira entrevistada é a psicóloga Kelen Gomes Ribeiro, doutora em Saúde Coletiva e professora da Faculdade de Medicina e do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da UFC.

Nessa conversa, ela fala sobre medo e ansiedade neste período de isolamento, dá dicas para manter a saúde mental e de como deve ser a relação com as crianças neste momento. “É importante que se desenvolva um movimento para desacelerar, numa perspectiva de busca do repouso e de confortos, evitando a instalação de mais mal-estar”, diz.

Quem é Kelen Ribeiro?

ufc{talks}  – Por que é tão difícil atravessar este período de isolamento social?

Kellen Ribeiro – O distanciamento ou isolamento social promovido para diminuir a propagação do novo coronavírus é uma medida muito relevante, mas tende a ser difícil porque traz muitas implicações, inclusive psicológicas. Não será vivido da mesma forma por todos; pode ter contornos diferentes. Somos seres biopsicossociais; construímos nossa identidade na relação com a gente mesmo e com os outros. Viver junto com outras pessoas é algo importante para o ser humano.

Historicamente, isso fez com que aumentasse a sobrevivência da espécie. Em conjunto, ficou mais viável conseguir alimento e construir abrigo, por exemplo. Isso inclui os mecanismos psíquicos: com a intenção de sobrevivência, nós nos mantemos em contato. Com menos contato, tendemos a ficar em alerta. Ancestralmente, estar sozinho significa perigo.

Estamos diante de perigos reais, que desencadeiam medo e ansiedade. O medo é fomentado por aspectos bem palpáveis: medo do adoecimento, do meu próprio, do de pessoas queridas e de pessoas com quem eu possa ter tido contato; medo de apresentar sintomas graves e não contar com assistência em saúde; medo de chegarmos a uma situação em que não teremos como cuidar de filhos ou de outras pessoas que contariam com nossos cuidados; e medo da morte.

São muitas possibilidades de perdas, o que nos remete também ao apego, nossa capacidade de construir vínculos com os outros. A teoria do apego de Bowlby nos dá elementos para compreender a tendência das pessoas para estabelecer fortes laços afetivos. Dentro dessa teoria, os laços não se desenvolvem apenas para satisfazer a instintos biológicos, como o de alimentação e o sexual, mas também por necessidade de segurança e proteção. Temos a forte reação emocional que ocorre quando esses laços ficam ameaçados ou rompidos.

Estudos mostram que, além do medo da morte em si, associam-se a ele: 1) o medo da dor e do sofrimento; 2) o medo da dependência e; 3) o medo de estar sozinho na hora de morrer. Nossa tristeza profunda quando vemos os caminhões da Itália levando os corpos também se relaciona a isso; sabemos que essas pessoas muito provavelmente não estiveram com suas famílias nos momentos finais de suas vidas. Nesse contexto, dentro de casa, há grande possibilidade de as pessoas sentirem tristeza, raiva, saudade e mesmo falta de esperança.

Junto com isso entra a ansiedade, que tem relação direta com a vivência da falta de controle da situação. Uma característica do estado ansioso é a excitação, que promove uma aceleração do pensamento.  A literatura aponta que ocorre uma elaboração, com a tentativa de planejar uma maneira para eliminar o perigo no menor espaço de tempo possível. Esse movimento mental, no contexto atual do coronavírus, é ineficiente. A sensação de perigo continua e a conclusão de que ainda não é possível eliminá-lo leva a um ciclo vicioso, porque essa sensação aumenta o estado ansioso.

Para que a gente saia desse ciclo, é importante que se desenvolva um movimento para desacelerar, numa perspectiva de busca do repouso e de confortos, evitando a instalação de mais mal-estar.

Índices de isolamento social no Ceará nas últimas semanas.

ufc{talks} – Diante disso, o que fazer para tentar manter a saúde mental e reduzir a ansiedade?

Kellen Ribeiro  – Estamos diante de crises e precisamos tentar lidar da melhor forma possível com elas.  A OMS [Organização Mundial da Saúde] apresentou um guia com dicas para enfrentar consequências psicológicas vividas neste período. Quero destacar algumas e reforçá-las.

Evite a busca excessiva de informações. Escolha um ou dois momentos do dia para se informar, em fontes fidedignas, como o próprio site da OMS ou de outras autoridades competentes. É importante diferenciar os boatos, as atuais “fake news”, dos fatos.

Crie oportunidades para tratar de histórias positivas de pessoas que tiveram a COVID-19, como as que já se recuperaram e estão bem.

Se está trabalhando, busque pausas. Essa crise nos impulsiona para sair do automatismo;

Se está em casa, tente criar uma rotina com tarefas regulares: limpar os cômodos, cozinhar, fazer atividade física, trabalhar, se for o caso. A rotina aumenta a previsibilidade e isso contribui para diminuir a ansiedade. Se estiver na companhia de outras pessoas, organizem-se para que ninguém fique sobrecarregado.

Crie possibilidades de atividades prazerosas, como escutar música ou assistir a filmes. Atividades manuais também tendem a ser benéficas. Se você se sente em condições de resolver pendências, resolva-as. Mas não faça disso uma obrigação.

Procure ser mais cuidadoso com sua alimentação. Pare de consumir aquilo que lhe causa dano: desde alimentos a notícias. A gente precisa ter condição de “digerir”, física e simbolicamente, aquilo que chega.

Fique em contato com a família e os amigos, fortaleça os vínculos afetivos com o uso dos recursos que temos. Ter uma rede de apoio é considerado um dos determinantes sociais da saúde e, para a atualidade, essa rede precisa passar a funcionar de maneira diferenciada.

Dedique-se ao auxílio de outras pessoas, vizinhos, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade social. Alguns precisarão de recursos materiais e outros ficarão bem satisfeitos apenas com ligações frequentes. Centre sua atenção também em pessoas que moram sozinhas. Além do benefício objetivo de quem recebe ajuda, temos que a sensação produzida no corpo após um ato generoso contribui para nossa saúde física e mental.

Tente sustentar a perspectiva do sono regular, procurando manter inclusive o horário habitual. Temos noção do quanto isso é desafiador neste momento em que estamos muito inquietos. Uma dica importante é deixar fluir os pensamentos, sem se fixar neles, como nos exercícios de meditação – para quem ainda não teve a oportunidade de meditar, temos aplicativos e muitos vídeos na Internet com meditação guiada, por exemplo. Especialmente próximo ao horário de dormir, evite concentrar o pensamento em assuntos que estão fora do seu controle, como a crise sanitária em si, a atitude de outras pessoas, os cenários políticos ou as repercussões de tudo na economia mundial.

Procure profissionais de saúde se avaliar que sua situação ou a de outras pessoas precisam de suporte qualificado em saúde mental. O Conselho Federal de Psicologia, inclusive, flexibilizou normas para serviço psicológico remoto neste momento. 

Estamos diante de incertezas; não precisamos estipular o período de duração da pandemia e, somente a partir disso, reorganizar nossas vidas. “Viver um dia de cada vez”, com adaptações, com ajustamentos criativos. É um momento muito oportuno para focarmos nos sentidos de nossas vidas, nas nossas riquezas interiores, na nossa capacidade de acessar aquilo que é sagrado para nós.

Trazemos dicas que podem contribuir com a vida das pessoas, mas, em alguns momentos, muito provavelmente não conseguiremos segui-las. E é importante que aceitemos isso também. Não precisamos nos cobrar “alta produtividade” agora. 

Quando nos sentirmos mais agitados, podemos iniciar o exercício de inspirar e expirar mais lentamente, por exemplo. Consigo trabalhar com minha respiração? Isso já é um passo bem importante! Posso mudar meus pensamentos? Que tal lembrar paisagens bonitas?  Dá para relembrar cenas alegres? Ligar para alguém que seja referência para a sua segurança é possível?

Temos um exercício importante que é reconhecer os nossos sentimentos e sensações, aprofundar nosso autoconhecimento; entrar em contato com o que sinto e, a partir disso, ter mais clareza do que estou precisando, seja de cuidado, seja de serenidade, seja de esperança; buscar fortalecer nossos momentos de tranquilidade. Podemos, quem sabe, ter a esperança de que tudo isso nos leve a reflexões profundas sobre nossos próprios estilos de vida, nosso cotidiano, nossas crenças, nossas prioridades, trazendo a possibilidade de nos (re)inventarmos como habitantes do planeta Terra.

Em alguns momentos, muito provavelmente não conseguiremos seguir as dicas (de preservação da saúde mental). E é importante que aceitemos  isso também. Não precisamos  nos cobrar 'alta produtividade' agora.

ufc{talks} – Como lidar com as crianças em situações como essa?

Kellen Ribeiro  – Repito a ideia de que, com a subjetividade humana, não há “fórmula mágica”, mas temos estudos e experiências que mostram maneiras para lidar melhor com as situações.  Nós trabalhamos com tanatologia, que aborda os processos emocionais e psicológicos que envolvem as reações à perda, ao luto e à morte. Muitas pessoas querem saber como abordar esses assuntos com crianças, especialmente com as crianças pequenas.

O que as pesquisas evidenciam é que, diferentemente do que a gente pensa a partir do senso comum, que a idade da criança seria um fator decisivo na comunicação de notícias difíceis, têm mais relevância a própria atitude dos pais em relação à morte, a franqueza com os filhos  para tratar desse tema e o apoio recebido da família.

Nesse contexto de pandemia, em que as pessoas estão vivendo lutos, a forma como os pais ou outras pessoas de referência lidam com as questões atuais influenciará muito a vivência das crianças.  E o que temos de recomendações?

Ajude as crianças a se expressarem, a trazerem à tona seus medos e ansiedades. Cada criança terá sua maneira de fazer isso. Brincadeiras, jogos e desenhos podem ajudar nessa expressão. Independentemente da forma em si, o importante é que se sintam seguras para expressar aquilo que as mobiliza no momento.

Conserve a proximidade das crianças com seus pais, familiares ou responsáveis. Já escutei situações de pais profissionais de saúde em atividade que consideraram mais seguro deixar seus filhos com parentes próximos. Para eles foi possível; os familiares estavam com essa disponibilidade e há vínculo forte com as crianças. É importante que, mesmo nesses casos, o contato com os pais seja garantido diariamente, com a forma remota mais adequada para a idade dos filhos. 

Mantenha a rotina da casa, o que serve para todos. Se possível, construa novas rotinas com as crianças, com atividades lúdicas e pedagógicas. É importante envolvê-las nas atividades domésticas e incentivá-las para que continuem brincando, socializando-se com os de dentro e de fora de casa, respeitando o distanciamento social. Tenho visto, por exemplo, crianças com mais de 5 anos conversando por aplicativos de comunicação, narrando seus dias, mostrando suas brincadeiras de casa, inventando jogos e outros modos de brincar junto, mesmo em casas separadas.

Atente para o fato de que, em momentos de crise, a criança tende a buscar e solicitar mais dos pais. A sugestão é que os pais falem sobre a COVID-19 de forma honesta e apropriada à idade deles, com explicações sobre as medidas necessárias para prevenção. Temos material lúdico disponível, como músicas da turma da Mônica que abordam o comportamento adequado em tempo de pandemia do coronavírus.  

Se eles tiverem preocupações, o fato de explicitá-las pode ajudar a reduzir a ansiedade. Mas vamos lembrar que é muito importante o estado dos pais ou responsáveis. Além daquilo que é dito, ficam os gestos, a expressão das emoções. A partir daí, as crianças desenvolverão seus próprios recursos para lidar com a situação, sempre com a necessidade de apoio. 

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Claro que isso é desafiador para os pais, que estão com muitas outras preocupações. Mais uma vez, a gente não precisa se cobrar tanto nesta hora. Não precisa ser a “supermãe” ou o “superpai” e fazer todo o manual de brincadeiras legais, quando a gente precisa limpar a casa, fazer a comida e, possivelmente, cuidar de alguém doente, viver nossos lutos. Muitos estão com trabalho em casa e as crianças estão recebendo atividades escolares diariamente também. Nós não estávamos preparados para a escolarização domiciliar: nem as escolas, nem as crianças, nem as famílias. E temos desafios nesse sentido também!

Ao mesmo tempo, estamos diante de uma oportunidade de aprender intensivamente a “encarar” as frustrações, aprender sobre a convivência familiar 24 horas, sobre solidariedade, sobre empatia, sobre resiliência – nossa capacidade de lidar com os problemas, com os ditos “perrengues”, e de resistir às diferentes pressões que a vida traz. Certamente, teremos efeitos dessa pandemia na nossa subjetividade e é importante que a gente pense nisso desde já, para que prevaleça o cuidado não “só” com as crianças mas com a gente mesmo e com os outros, numa perspectiva ampla.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional – e-mail: ufcinforma@55betzone.com

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UFC Talks: uma conversa sobre saúde mental em tempos de isolamento com a professora Kelen Ribeiro Mon, 04 May 2020 13:07:12 -0300