- Segunda, 17 Março 2025 17:04
- Escrito por UFC Informa
No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, um grupo de pesquisadoras brasileiras da área de Engenharia Civil – entre elas a professora Verônica Castelo Branco, da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará (UFC) – mostra que ainda há muito a se conquistar quando o assunto é presença e reconhecimento das mulheres na ciência. É o que elas mostram no artigo “Criteria for Research Productivity grants in Brazil applied to Civil Engineering: reflections on gender differences and the current context” (Critérios para bolsas de Produtividade em Pesquisa no Brasil aplicados à Engenharia Civil: reflexões sobre diferenças de gênero e o contexto atual), publicado nesta semana na última edição dos Anais da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
O trabalho aborda questões de gênero no âmbito da concessão de bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no campo da Engenharia Civil, a partir de uma análise quantitativa e descritiva de dados coletados em documentos públicos relacionados ao assunto. Entre essas informações estão, por exemplo:
- dados entre 2005 e 2023 sobre bolsas concedidas pelo CNPq (presentes no Painel de Fomento em Ciência, Tecnologia e Inovação do CNPq);
- número de mulheres (entre 2019 e 2023) com formação e atuação em Engenharia Civil e número geral de todos os tipos de bolsas concedidas pelo CNPq para mulheres (extraídos do Painel Lattes);
- quantidade e categorias de bolsas PQ vigentes em fevereiro de 2024 para a área de Engenharia Civil, com foco em mulheres bolsistas PQ;
- resumo histórico dos critérios de análise das chamadas de bolsas PQ do CNPq (entre 2016 a 2023);
- quantidade de docentes mulheres permanentes nos programas de pós-graduação (PPGs);
- e consulta ao currículo Lattes de bolsistas PQ com bolsas válidas em fevereiro de 2024 para identificar o número de declarações de licença-maternidade e o nível de carreira de cada uma na instituição de origem.

Segundo Verônica Castelo Branco, as análises apontaram a existência de 40% de engenheiras civis (registradas na Plataforma Lattes do CNPq e trabalhando na área em questão) e que 73% dos programas de pós-graduação no Brasil (Engenharia Civil) possuem mais do que 20% de professoras do sexo feminino atuando em pesquisa. “Ou seja, a demanda existente para o pleito da bolsa PQ é bem maior do que a porcentagem de bolsas concedidas, que está praticamente congelada há 20 anos”, aponta a professora.
Os dados revelaram ainda que 70% dessas docentes já atingiram os dois níveis mais altos da carreira acadêmica (professoras associadas ou titulares) em suas instituições de origem, o que as credencia para pleitear as bolsas PQ/CNPq. Porém, nos últimos 20 anos, somente 20% dos docentes contemplados com bolsas PQ/CNPq foram mulheres.
“Destacamos ainda que pouquíssimas pesquisadoras são contempladas com os níveis mais altos da bolsa, fato que se torna ainda mais complexo quando observamos que o número de submissões feitas por professoras aumentou ao longo das duas últimas décadas”, pontua Verônica.
BARREIRAS ESTRUTURAIS - Entre as conclusões do trabalho, as autoras sugerem que os estudos e as políticas definidores dos critérios para concessão de bolsas de Produtividade (PQ) devem considerar a possibilidade de existência de: segregação vertical e horizontal nas carreiras das profissionais; barreiras estruturais que podem estar impedindo as professoras da área de Engenharia Civil de se desenvolverem como pesquisadoras no Brasil; escassez de suporte, encorajamento e políticas que possam incentivar as pesquisadoras a atingir níveis mais altos nas próprias bolsas de produtividade; e subjetividade nos critérios de julgamento utilizados nas avaliações.
A construção do artigo ocorreu ao longo de vários meses de 2024. Além de Verônica, são coautoras do trabalho as professoras Lilian de Rezende (55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal de Goiás), Kamilla Savasini (Escola Politécnica da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online de São Paulo), Marta da Luz (Pontifícia 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Católica de Goiás), Michéle Casagrande (55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online de Brasília), Liseane Thives (55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal de Santa Catarina); Lêda Lucena (55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal de Campina Grande) e Liedi Bernucci (Escola Politécnica da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online de São Paulo). Todas são bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, na área de Geotecnia/Infraestrutura de Transportes.
“Acreditamos que a construção coletiva desse artigo científico, com o olhar para as questões de gênero, faz com que ele seja melhor e mais forte. Cada uma de nós, embora pertencentes a uma mesma área de atuação, possui trajetória de vida individualizada, com realidades distintas e capaz de enriquecer esse processo”, acredita Verônica.
Fonte: Departamento de Engenharia de Transportes da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará (DET/UFC) - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.