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Projeto RASTUM desenvolve tecnologia para rastreamento da cadeia produtiva de atum no Ceará

Para chegar ao prato do consumidor, o peixe passa por um longo processo de produção que inclui desde o pescador até o restaurante ou supermercado para a venda final. E, para ser um produto de qualidade, vários fatores estão envolvidos nesse percurso, como condições naturais (como temperatura e salinidade do mar), aspectos industriais (forma de pesca, transporte e armazenamento do pescado), e até questões biológicas (crescimento da espécie, dinâmica migratória e taxa de mortalidade, por exemplo).

Foi pensando em toda essa cadeia produtiva do peixe que 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará, 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Estadual do Ceará (UECE), Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e Sindicato das Indústrias de Frio e Pesca no Estado do Ceará (SINDFRIOS) se uniram para desenvolver o projeto de Rastreabilidade da Cadeia de Produção do Atum: automação e inteligência artificial (RASTUM).

Imagem: foto de um jovem negro com camisa vermelha segurando um atum

A iniciativa, financiada pelo programa Digital.br, da Agência Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria (ABDI), tem o objetivo de utilizar a inteligência artificial e a automação para o rastreio e o monitoramento da cadeia produtiva do atum e de peixes vermelhos desde o momento da captura até o beneficiamento.

O grupo está desenvolvendo um software com geolocalização a ser alimentado por pescadores, produtores e empresários do pescado. “É uma espécie de banco de dados que vai aumentar todo o conhecimento de pesca e comercialização de atum na costa do Ceará. Isso já existe em países avançados. O que estamos fazendo é agregando valor, em vez de importar essa tecnologia, estamos desenvolvendo aqui no Ceará”, destaca o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC, Prof. Rodrigo Porto.

Temperatura e salinidade do mar, localização geográfica da pesca via satélite, tempo despendido na captura do pescado, temperatura do armazenamento dos peixes desde a embarcação até a indústria de beneficiamento são alguns aspectos monitorados pelo software. Além de ajudar a garantir uma qualidade no produto final, o aplicativo também contribui para uma pesca mais justa e sustentável.

Desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Engenharia de Sistemas de Computação (LESC), vinculado ao Departamento de Engenharia de Teleinformática da UFC, o aplicativo vai coletar dados como temperatura do pescado, peso e tipo do peixe e localização. O Prof. Jarbas Silveira explica que o aplicativo será usado por pescadores e trabalhadores do transporte de peixe em um tablet interligado a sensores dentro das embarcações. As informações são repassadas de forma on-line para os computadores das empresas.

Imagem: foto de uma mão segurando um tablet com o aplicativo Rastum na tela

“Isso irá ajudar as empresas a ter uma visibilidade em tempo real onde está acontecendo a pesca e quais os tipos de peixes que estão sendo pescados em cada local”, aponta. No caso de falta de conexão com a Internet, as informações são armazenadas no aplicativo e enviadas quando a conexão for retomada.

A analista de prospecção estratégica do Observatório da Indústria do Sistema FIEC, Leila Andrade, explica que o projeto contemplará mais de 30 embarcações, beneficiando de seis a oito pescadores por barco. De acordo com ela, o projeto prevê a doação de tablets e sensores de temperatura, além da capacitação dos trabalhadores para a inserção das informações.

O projeto, segundo Leila Andrade, foi desenvolvido para atender a uma demanda do próprio setor, que sentiu a necessidade de garantir a rastreabilidade do produto. “Algumas espécies do atum têm grande valor comercial. Mas, sem boas práticas [sanitárias] e a rastreabilidade, o valor cai”, destaca Francisco Ozina Costa, proprietário da Netumar Pescados, uma das dez empresas participantes da iniciativa. Para ele, o RASTUM proporcionará às empresas mais “segurança jurídica”, pois terão condições de “prestar conta” às autoridades brasileiras e ao mercado internacional.

Tanta preocupação não é por acaso. Além do valor comercial, os atuns são espécies “altamente migratórias”, como destaca a diretora do Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) da UFC, Profª Ozilea Menezes. “Devido a isto, são considerados recursos internacionais e seu ordenamento deve ser feito por uma entidade internacional”, explica.

No caso do Brasil, a pesca é regulada pelo Comitê Internacional para a Conservação dos Atuns no Atlântico (ICCAT), que estabelece cota máxima de captura do peixe. “Se [o atum] for rastreado, com a quantidade e a espécie [capturada], [os pescadores e as empresas de pescado] conseguem vender para o mercado internacional a um bom preço”, observa a diretora do LABOMAR, unidade acadêmica que coordena o projeto na UFC.

Imagem: foto de uma jovem de camisa branca agachada medido tamanho do peixe

Com o monitoramento, é possível mensurar a quantidade de peixes capturados, contribuindo, assim, para a garantia de uma pesca em concordância com as normas internacionais e mais sustentável, evitando a pesca excessiva e possibilitando a renovação da espécie.

Além disso, a Profª Ozilea Menezes explica que, com o rastreamento, é possível, por exemplo, observar como é feita a pesca na região (quantidade de dias que a embarcação passou em alto mar para capturar os peixes e distância do local de pesca até a costa, por exemplo, são fatores que influenciam nos gastos com a pesca). “Isso se refere ao esforço de pesca, fator primordial para dar valor ao peixe”, aponta.

Para o reitor da UFC, Prof. Cândido Albuquerque, RASTUM é um projeto de grande importância para a economia do mar no Ceará. “O atum hoje representa uma grande fonte de economia, nós temos exportação [do atum]. A FIEC tem interesse em proteger essa indústria. E você tem que fazer esse rastreamento para conhecer toda essa cadeia produtiva, preservá-la, aumentá-la. A pesca não pode ser desordenada, deve ser cientificamente controlada”, comenta.

Ouça também notícia da rádio Universitária FM sobre o projeto

TRABALHO DE CAMPO – Responsável pelas atividades de campo para o acompanhamento de desembarques de pesca e visitas às empresas de processamento do atum e de peixes vermelhos no litoral cearense, a Profª Caroline Feitosa, do Curso de Oceanografia da UFC, considera a “receptividade muito boa” dos trabalhadores das embarcações com as equipes que vão apresentar o projeto.

Ela e mais quatro estudantes do curso (Caio Anderson, Dávila Maria, Isabella Marques e Julie Adrien) estão, desde o mês de julho, em contato com trabalhadores de Itarema e Acaraú, no litoral oeste, e de Aracati, no litoral leste do Ceará, cadastrando e coletando informações das embarcações. As atividades contam também com a contribuição da oceanógrafa Ana Beatriz Leite, egressa do LABOMAR e hoje colaboradora do Observatório da Indústria da FIEC.

A partir do fim de setembro, o grupo entrou em outra fase do projeto, que é monitorar os desembarques das pescas e apresentar o aplicativo aos “mestres” (espécie de comandantes) das embarcações, que ficarão responsáveis por inserir as informações no aplicativo. “No geral, a receptividade está sendo boa”, considera.

Imagem: foto de uma jovem mostrando o aplicativo para um senhor de boné

CONTRIBUIÇÃO CIENTÍFICA – Além da contribuição tecnológica ao setor produtivo do Ceará, também faz parte do propósito do RASTUM aumentar o conhecimento científico sobre as variáveis oceanográficas nos animais marinhos e suas consequências para a atividade pesqueira. A ideia, de acordo com a Profª Ozilea Menezes, é estudar a correlação entre a distribuição de atum e afins no espaço e tempo e em relação às características oceanográficas da região.

Quais as condições ambientais mais propícias à pesca do atum? Quais são as regiões e o melhor local? Qual o melhor período do ano? São algumas perguntas que os pesquisadores pretendem responder com a ajuda do aplicativo. “Esse conhecimento minimiza o esforço de pesca, para ter um rendimento mais elevado da atividade pesqueira respeitando a sustentabilidade, sem provocar um decrescimento que ocasione a vulnerabilidade da espécie”, aponta a docente.

Além de estudantes e professores, a pesquisa conta com a colaboração dos servidores técnico-administrativos Bárbara Paiva (oceanógrafa), Abraão Andrade (responsável pela divulgação científica do projeto no LABOMAR) e Fábio Ribeiro (integrante da equipe do LESC que desenvolveu o aplicativo).

Fonte: Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) – fone: (85) 3366 7000

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