Originada no Ceará, pesquisa já acumula 16 prêmios nacionais e internacionais; saiba mais algumas curiosidades sobre a pele de tilápia
- Terça, 19 Janeiro 2021 10:32
A aplicação clínica pele de tilápia já é uma das pesquisas iniciadas na UFC com maior êxito da história da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online. Os feitos alcançados através da pele já renderam aos pesquisadores 16 premiações em primeiro lugar, concedidas no Brasil e no exterior. Uma das mais relevantes foi o Prêmio Euro, considerado o Oscar brasileiro da medicina, entregue em setembro do ano passado. Com o título "A pele de tilápia: um novo biomaterial para tratamento de queimaduras, feridas, cirurgias ginecológicas e medicina regenerativa", o estudo apresentado pelo médico Edmar Maciel conquistou o primeiro lugar, concorrendo com 1.500 projetos.

COMO SURGIU A PESQUISA – A ideia de utilizar a pele de tilápia para tratamento de queimaduras surgiu em Pernambuco, por meio do cirurgião plástico Marcelo Borges, ainda em 2011. Por falta de investimentos e de infraestrutura laboratorial, ele não avançou nas pesquisas por três anos. Em 2014, entrou em contato com Edmar Maciel, médico do Instituto Dr. José Frota (IJF), e então decidiram iniciar as pesquisas com a pele no Ceará.
No fim daquele ano, o médico cearense, que já desenvolvia pesquisas na área de queimaduras em parceria com a empresa Enel, apresentou projeto de pesquisa à empresa, cujo financiamento foi aprovado. Edmar, em seguida, convidou o Prof. Odorico de Moraes, da UFC, para que os estudos pré-clínicos fossem realizados no Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online. E assim foram iniciados os exitosos estudos, que, hoje, contam com uma equipe internacional.
DE ONDE VEM A PELE – A pele utilizada nesses estudos é retirada da tilápia-do-nilo, um peixe de água doce de cativeiro, de fácil reprodução e que existe em grandes quantidades no Brasil, especialmente no Nordeste. Sua pele geralmente é descartada; apenas 1% dela é utilizada no artesanato, daí a viabilidade econômica do uso desse material, explica o coordenador-geral da pesquisa, Edmar Maciel. Além disso, aponta, os animais aquáticos disseminam menos doenças que os terrestres, o que torna a pele da tilápia clinicamente mais segura.
No início da pesquisa, em 2015, as peles vinham do açude Castanhão, no Ceará. Com as secas e a falta do controle de qualidade do processo de extração da pele, todavia, elas passaram a ser recebidas, desde 2018, da Piscicultura Bomar, em Itarema, Ceará. Todo o material sempre foi fornecido gratuitamente.
PALÁCIO DO PLANALTO – Em maio de 2019, a convite do Palácio do Planalto, em Brasília, o grupo de pesquisadores apresentou os produtos que estão sendo desenvolvidos na pesquisa ao presidente da República, ao ministro da Saúde e sua equipe, e ao secretário da Pesca. "O presidente Bolsonaro e sua equipe ficaram impressionados com o avanço das pesquisas e se comprometeram a introduzir os produtos na rede pública brasileira, após aprovação da ANVISA [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]", destaca Maciel, que, na ocasião da visita, participou da live semanal do presidente.

PATENTES – As pesquisas com pele de tilápia já geraram quatro pedidos de patente. O primeiro deles foi o relacionado ao processo de desenvolvimento da esterilização da pele da tilápia no glicerol, no qual a UFC possui 25% dos direitos autorais, divididos com a empresa Enel e com os pesquisadores Edmar Maciel e Marcelo Borges (cada um com 25%). Os outros três pedidos são: desenvolvimento da esterilização da pele pelo método de liofilização (desidratação); desenvolvimento da matriz dérmica; e extração do colágeno. Em cada um desses a UFC tem 50% de direitos autorais.
O COORDENADOR DAS PESQUISAS – Edmar Maciel é médico formado pela UFC em 1982, fez Residência em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica, duas especializações e concluiu Mestrado em Farmacologia Clínica pela UFC. Atualmente, é membro do corpo clínico do Centro de Queimados do IJF (desde 1984), presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (desde 2006) e coordenador-geral da pesquisa da pele de tilápia.
Maciel publicou nove livros no Brasil e no exterior e é autor de 64 capítulos em livros nacionais e internacionais, tendo ganhado 10 prêmios. O médico é ainda o criador do Dia Nacional do Queimado (6 de junho) e do Dia Nacional do Cirurgião Plástico (7 de dezembro), ambos no Brasil. Edmar Maciel foi presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras (2001-2006), presidente da Sociedade de Cirurgia Plástica (2002-2005) e presidente da Federação Latino-Americana de Queimaduras (2005-2009), além de idealizador do Centro de Tratamento de Queimados do IJF, do qual é diretor há 12 anos.
Por Sérgio de Sousa
Fonte: Edmar Maciel, coordenador-geral da pesquisa com pele de tilápia – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.







