Agência UFC: Óleo derramado no Nordeste viajou 8.500 km por meio de lixo plástico e chegou à Flórida em 240 dias
- Quarta, 28 Janeiro 2026 09:59
- Escrito por UFC Informa
Após um derramamento, o petróleo raramente viaja a mais de 300 quilômetros da fonte. Porém, um estudo de pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da 55BET Zone Brasil – Apostas Esportivas e Futebol Online Federal do Ceará (UFC) com instituições internacionais acaba de comprovar, pela primeira vez no mundo, um caso que quebra esse padrão. O óleo espalhado na costa do Nordeste brasileiro em 2019 foi capaz de transcorrer cerca de 8.500 quilômetros, chegando até a Flórida, nos Estados Unidos, em aproximadamente 240 dias. O que tornou isso possível foram os resíduos plásticos marinhos, gerando um novo alerta para a governança global dos oceanos.

Uma grande quantidade de garrafas de vidro e plástico com tampa, parcialmente ou totalmente cobertas por resíduos pretos, chegou ao litoral de Palm Beach no período do fim de maio até setembro de 2020. A chegada dos referidos resíduos se destacou, contudo, por surgir de forma diária, por vários meses, e em uma quantidade fora do comum. Além disso, as garrafas, quando possuíam rótulos legíveis, traziam inscrições em português, espanhol e inglês.
Fardos de borracha também apareceram na costa de Palm Beach em 2020, semelhantes aos encontrados na costa do Nordeste brasileiro no ano anterior. A coincidência dos eventos motivou pesquisadores do Labomar-UFC, em parceria com instituições internacionais, a verificarem se os acontecimentos estariam conectados.
Eles comprovaram a hipótese e publicaram, no início deste mês de janeiro, um artigo na revista Environmental Science & Technology revelando ao mundo que o lixo marinho, especialmente o plástico, pode ser responsável por uma contaminação transfronteiriça de petróleo.

Nos casos de derramamento, o óleo não chega a grandes distâncias por causa do intemperismo (evaporação, dissolução, degradação fotoquímica e biodegradação) e das medidas de resposta a esses eventos, como a aplicação de dispersantes. Contudo, envolvido em detritos como o plástico, o óleo consegue superar esses impedimentos.
Se o óleo encontra esses resíduos, ele pode ficar mais tempo em superfície e ser transportado pelas correntes por longas distâncias, criando um chamado “efeito aditivo de contaminantes”. O achado, portanto, desperta uma nova preocupação ambiental, pois há cada vez mais detritos nos oceanos.
O estudo é tema de reportagem da Agência UFC. A matéria completa traz informações sobre como o achado foi comprovado, os riscos desse tipo de contaminação e os impactos disso para a governança internacional dos oceanos.
Fontes: Rivelino Cavalcante, professor do Labomar-UFC – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. / Carlos Teixeira, professor do Labomar-UFC – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.







